Resumo
- A Poste Italiane, nova controladora da Telecom Italia e da TIM Brasil, afirmou que a operação brasileira não é estratégica para seus planos futuros.
- A operação brasileira é lucrativa e não está à venda, mas será usada “taticamente”.
- A decisão pode abrir espaço para uma eventual separação da operação brasileira no futuro, mas não há busca por comprador nem processo formal de venda.
A Poste Italiane, nova controladora da Telecom Italia e, indiretamente, da TIM Brasil, indicou que a operação brasileira não é considerada estratégica para seus planos futuros. A declaração marca uma mudança de tom pouco mais de um mês após a companhia assumir o controle da matriz italiana.
O CEO da Poste Italiane, Matteo Del Fante, disse que a TIM Brasil é lucrativa e gera bastante caixa, mas não é essencial para o projeto que a empresa pretende desenvolver com a Telecom Italia. Ao mesmo tempo, afirmou que a operação não está à venda.
O que isso representa para a TIM Brasil?
Essa é a pergunta que continua sem resposta. Durante uma conferência econômica em Roma, Del Fante afirmou apenas que a Poste pretende usar a operação brasileira “de maneira tática” nos próximos meses, mas não explicou o que isso significa na prática. O executivo foi mais direto ao dizer que a TIM Brasil “não está à venda”.
A agência Reuters avalia que a fala pode abrir espaço para uma eventual separação da operação brasileira no futuro. Até agora, não há busca por comprador nem processo formal de venda. O significado desse “uso tático” pode ficar mais claro no primeiro trimestre de 2027, quando Del Fante pretende apresentar um novo plano de negócios para Poste Italiane e Telecom Italia.
Por que o Brasil deixou de ser prioridade?

A prioridade está na Itália. O grupo quer aproveitar a aquisição da Telecom Italia para ampliar sua atuação em serviços digitais e transformação tecnológica, combinando os clientes corporativos da operadora com a estrutura da estatal italiana. Nesse desenho, a operação brasileira gera resultado financeiro, mas não ocupa o mesmo papel estratégico.
A situação contrasta com o discurso adotado antes da conclusão da aquisição. Em julho, o CEO da TIM Brasil, Alberto Griselli, disse que o fortalecimento da nova controladora poderia beneficiar a filial e lembrou que a Poste havia tratado a operação brasileira como uma “joia”. A mudança também recoloca um tema antigo no radar. Em 2022, integrantes do atual governo italiano chegaram a defender a venda da TIM Brasil para direcionar recursos à operação europeia.
O que muda para a operadora no Brasil?
Por enquanto, nada foi anunciado para a operação local. A Telecom Italia controla cerca de 67% da TIM Brasil. A companhia é a única subsidiária estrangeira do grupo e, segundo a Reuters, responde por quase metade de seus lucros operacionais principais. A participação está avaliada em aproximadamente R$ 31,8 bilhões.
No Brasil, a TIM continua entre as três grandes operadoras de telefonia móvel, ao lado de Vivo e Claro. Também atua em banda larga fixa, embora tenha sido ultrapassada pela Starlink em número de acessos.
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