Motorola diz que segue regras de transparência, mas as evidências mostram o contrário

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Motorola diz que segue regras de transparência, mas as evidências mostram o contrário

Resumo
  • A Motorola foi condenada pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) por veicular informações enganosas sobre smartphones.
  • A empresa alega manter o compromisso com a transparência e a clareza das informações, mas evidências disponíveis em sua loja oficial mostram o contrário.
  • A decisão do Conar determina que a Motorola deve adequar a divulgação de informações sobre a memória RAM de seus aparelhos.

A Motorola se pronunciou pela primeira vez desde que foi condenada no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) por veicular informações enganosas sobre smartphones. O caso foi revelado pelo Tecnoblog com exclusividade. Neste sábado (26/09), a companhia afirmou manter o “compromisso com a transparência e com a clareza das informações”, mas as evidências disponíveis na loja oficial dela mesma mostram o contrário.

A encrenca começou quando a marca passou a destacar os celulares com “até 24 GB de RAM”, há cerca de um ano e meio. Para chegar a este número, ela somou a tradicional RAM física com a RAM virtual, o que é incomum no mercado brasileiro. A situação foi levada ao Conselho de Ética do Conar, que decidiu, por unanimidade, que a empresa precisa adequar a divulgação de informações.

Em nota ao Tecnoblog, a Motorola disse que “a alteração requerida pelo Conar já havia sido implementada em nossos canais próprios desde o início de agosto”. Essa informação não procede. A nossa equipe de reportagem realizou uma averiguação ontem (25/09) e encontrou inúmeros produtos com descrições que feriam a orientação do Conar.

Pelo que notamos, a Motorola alterou algumas dessas páginas ao longo da própria sexta-feira, depois que demos a notícia em primeira mão e outros veículos de imprensa também repercutiram o caso. Ou seja, o timing citado na resposta não tem embasamento factual.

Nós procuramos o departamento de comunicação da Motorola com novos questionamentos a respeito disso, porém a empresa não quis responder. O espaço segue aberto.

Inconsistência no comunicado

O comunicado da Motorola esbarra em outro ponto que carece de comprovação: ele alegou que a prática de somar RAM física e RAM virtual seria um “padrão de mercado”. Ora, eu cubro jornalisticamente o setor de mobile há mais de uma década e nunca vi isso se tornar praxe. Pelo contrário: colegas da imprensa e os leitores do Tecnoblog já criticaram o cálculo em outras reportagens.

Por outro lado, a companhia sustentou que este formato “continua sendo utilizado por outros fabricantes, concorrentes da Motorola”. Ela tem razão: nós identificamos a questão em páginas de produtos da Xiaomi e da Jovi após realizarmos uma checagem neste sábado (26/09). Já os sites da Apple, Samsung, Realme e Oppo não continham o problema.

Ainda não sabemos se o Conar irá se manifestar sobre os casos similares.

Motorola pode recorrer

O Conar é um órgão não governamental sem poder de Justiça nem de polícia. Mesmo assim, suas decisões são rigorosamente respeitadas pelos setores de mídia e publicidade. Seu regulamento prevê a possibilidade de recorrer da decisão. A Motorola disse em nota que analisará o teor da decisão “para avaliar ações adicionais”.

O que é RAM virtual?

No cerne da questão está a diferenciação entre RAM física e RAM virtual. Colocando de forma grosseira, a primeira depende de um chip fisicamente dedicado para guardar certas informações processadas pelo dispositivo. Ela faz parte do hardware.

A segunda depende de uma técnica que simula memória RAM adicional usando o armazenamento interno do dispositivo. Essa função de gerenciamento visa otimizar o desempenho geral e permitir que mais aplicativos sejam executados simultaneamente. Ela depende de software.

Essa função está presente em inúmeros aparelhos vendidos no Brasil. Nos nossos testes, foi possível perceber um leve ganho quando o chamado RAM boost está ativo. Isso significa que, do ponto de vista do consumidor, é muito bem-vindo ter a ferramenta à disposição para um momento de maior necessidade.

É preciso ter em mente que o processo no Conar não foca na parte técnica da coisa, mas sim na forma de comunicar. O Conselho de Ética entendeu – voltamos a dizer: por unanimidade – que a prática da Motorola precisa ser revista. O Tecnoblog apurou que o processo correu por semanas antes do desfecho nesta quinta-feira (24/09).

Nos conte nos comentários: na sua visão, a decisão do Conar está correta ou a Motorola tem razão nessa história?

Confira a resposta da Motorola na íntegra

“A Motorola mantém seu compromisso com a transparência e com a clareza das informações disponibilizadas aos consumidores. Consideramos fundamental comunicar as especificações de memória de forma clara e objetiva. A alteração requerida pelo Conar já havia sido implementada em nossos canais próprios desde o início de agosto. Seguiremos desta forma, independente de o formato anterior, que era padrão do mercado, continuar sendo utilizado por outros fabricantes, concorrentes da Motorola. Analisaremos o teor da decisão, que já havíamos acatado, para avaliar ações adicionais.”

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