Governo Lula diz que dispensa de exigências em empréstimo do BRB não elimina risco da operação

Distrito Federal
Governo Lula diz que dispensa de exigências em empréstimo do BRB não elimina risco da operação

LUANY GALDEANO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O Ministério da Fazenda afirmou nesta sexta-feira (21) que o risco na operação de empréstimo para salvar as contas do BRB (Banco de Brasília) ainda não foi afastado, apesar da dispensa de determinadas exigências de responsabilidade fiscal na operação.


Segundo a pasta, a falta de formalização no financiamento decorre de questões “negociais, técnicas e de governança interna dos agentes econômicos envolvidos” e não de omissão ou impedimento por parte do governo federal.


O comunicado rebate às acusações de que o governo federal estaria inerte em relação à negociação do empréstimo dos bancos, crítica feita pela gestão do Distrito Federal.


“Não procede a tentativa de atribuir ao governo federal a responsabilidade pela não conclusão de uma operação que depende de decisões comerciais e de crédito de instituições independentes.


Em maio, um acordo firmado entre o governo do Distrito Federal e a União no STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a contratação da operação de crédito para o BRB em valor equivalente a até 16% da Receita Corrente Líquida do DF. O acordo também previu que fosse autorizada a adoção de um mecanismo de ajuste fiscal da Constituição, acionado quando as despesas correntes de um ente federativo superam 95% de suas receitas correntes em um período de 12 meses.


Apesar disso, o governo do Distrito Federal ainda não conseguiu avançar nas negociações para formalizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para socorrer a instituição.


Na última semana, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) disse não ser parte do acordo firmado entre o governo do DF e a União no STF. Também alegou não ter recebido documentação sobre as finanças do BRB para viabilizar o empréstimo.


As tratativas sobre a operação de crédito para salvar o BRB tiveram início antes de o caso ser levado ao Supremo pela gestão de Celina Leão (PP).


O governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, deu entrada no processo de captação porque não tem recursos em caixa para fazer o aporte no banco. Em março, o ex-governador Ibaneis Rocha fez um pedido de R$ 4 bilhões ao FGC. Quando assumiu o posto, em abril, Celina demandou um complemento de R$ 2,6 bilhões.


No início de agosto, o ministro Luiz Fux, do STF, marcou uma nova audiência de conciliação para definir a execução do acordo firmado em maio para viabilizar o plano de socorro ao BRB, atendendo a um pedido do governo do Distrito Federal, que alegou haver inércia da União no cumprimento dos termos acordados.


Na ocasião, ficou definido que a operação não contaria com aval da União e os maiores bancos públicos e privados do país seriam os fiadores da operação -ou seja, honrariam os pagamentos em caso de inadimplência do Distrito Federal.


O governo do Distrito Federal, por sua vez, entraria com contragarantias para ressarcir as instituições em caso de calote. As contragarantias são receitas do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e FPM (Fundo de Participação dos Municípios).


As áreas jurídicas dessas instituições financeiras avaliam que a solução que está posta na mesa de negociação é inconstitucional. Sem concordância dos fiadores, a operação segue travada.


Os bancos privados pedem que Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal entrem com contragarantias ao negócio -opção rejeitada pelos participantes. Também há questionamentos se a operação de R$ 6,6 bilhões será, de fato, suficiente para resolver a crise do BRB, uma vez que o tamanho do prejuízo ainda é desconhecido.


Como mostrou a Folha de S.Paulo, os relatórios operacionais do BRB estão represados há mais de um ano, desde que veio à tona o escândalo do Banco Master.


Na última semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu as acusações de que governo federal estaria inerte em relação à crise do banco do DF e disse que as críticas eram “uma grande injustiça e irresponsabilidade”.


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