DF reforça vigilância contra sarampo após casos em São Paulo

Distrito Federal
DF reforça vigilância contra sarampo após casos em São Paulo

O avanço de casos de sarampo em São Paulo acendeu um alerta para a prevenção da doença em outras unidades da Federação. No Distrito Federal, apesar de não haver registros confirmados neste ano, a Secretaria de Saúde (SES-DF) mantém o monitoramento diante do risco de introdução do vírus. Ao longo de 2026, 25 casos suspeitos foram notificados na capital, mas todos já foram descartados.

O cenário ganha atenção principalmente por causa da cobertura vacinal. No primeiro quadrimestre deste ano, 87,9% das crianças de 1 ano receberam a primeira dose da vacina tríplice viral, enquanto 79,7% foram imunizadas com a segunda dose. Os dois índices permanecem abaixo da meta de 95%.

Até o fim de julho, o Brasil havia confirmado 17 casos de sarampo em 2026. Em São Paulo, 14 estavam em acompanhamento ativo, sendo 11 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. As investigações apontam que os registros ocorreram em uma região marcada pela intensa circulação de pessoas e pelo fluxo de viajantes internacionais.

Coordenadora do Departamento Científico de Imunizações da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a médica Cláudia França Cavalcante Valente explica que, embora o Brasil tenha eliminado novamente a circulação endêmica do vírus, casos esporádicos ainda podem ocorrer, especialmente quando relacionados à importação.

O país recebeu, em novembro de 2024, a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Antes disso, havia conquistado a certificação em 2016, mas voltou a registrar circulação do vírus em 2018 e perdeu o reconhecimento no ano seguinte, após mais de 12 meses de transmissão.

“Todos os estados têm sempre que estar alertas”, destaca Cláudia.

Alta capacidade de transmissão

A atenção das autoridades também está relacionada à facilidade com que o sarampo se espalha. A doença viral é infecciosa, aguda, potencialmente grave e extremamente contagiosa. A transmissão pode ocorrer por secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar e também por aerossóis em ambientes fechados, como escolas, creches e unidades de saúde.

Segundo Cláudia, uma pessoa infectada já pode transmitir o vírus cerca de quatro dias antes do aparecimento das manchas características na pele. Entre pessoas suscetíveis que mantêm contato próximo com alguém infectado, até nove em cada dez podem desenvolver a doença.

O diretor substituto de Vigilância Epidemiológica do DF, Victor Bertollo, explica que a rede local mantém ações para identificar rapidamente eventuais casos. Além dos núcleos de vigilância epidemiológica nas regiões de saúde e nos hospitais, a atenção primária participa do monitoramento.

As medidas incluem investigação dos casos, rastreamento de contatos, bloqueio vacinal e busca ativa de possíveis infectados. Quando surge uma suspeita, são analisados sintomas, histórico de viagens e possíveis exposições. Também podem ser realizados exames de sorologia e PCR para confirmar ou descartar a infecção.

A notificação do sarampo é compulsória. Por isso, Bertollo reforça que a identificação de um possível caso depende também da atenção dos profissionais e da procura da população pelos serviços de saúde quando surgirem sintomas compatíveis.

O monitoramento pode ultrapassar as fronteiras do DF. Em situações envolvendo passageiros de voos, por exemplo, a vigilância local pode receber informações sobre moradores da capital que tiveram contato com casos suspeitos em outros estados, permitindo avaliar sintomas e situação vacinal e orientar medidas preventivas.

Vacinação é principal proteção

A principal recomendação permanece a vacinação. Para Cláudia Valente, quem tiver dúvidas sobre o próprio esquema deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para verificar a necessidade de receber novas doses.

Em agosto, a SES-DF realiza a Campanha de Multivacinação nas UBSs para ampliar a proteção de crianças e adolescentes contra o sarampo e outras doenças. A vacina tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola, é disponibilizada gratuitamente.

No Posto de Saúde nº 2 do Setor Sul do Gama, a técnica de enfermagem Noêmia Gomes Pacheco relata que notícias sobre possíveis surtos costumam aumentar a procura por imunização. Segundo ela, o estoque das vacinas do calendário está regular na unidade.

Entre as mães que mantêm a caderneta dos filhos atualizada está Jennifer Karolaine de Oliveira Soares, mãe de Helena, de 8 meses. Ela conta que procura respeitar os períodos indicados para cada imunização. “Não gosto de atrasar a vacinação”, afirma.

Para Jennifer, a imunização é uma forma de proteger não apenas a filha, mas também quem convive com ela. “Eu acredito muito que vacina salva vidas. Como minha filha convive com crianças, eu protejo ela e outras também”, diz.

Atenção aos sintomas

Febre associada a manchas avermelhadas na pele está entre os principais sinais de alerta para o sarampo, principalmente quando acompanhada por tosse, coriza ou conjuntivite. O histórico recente de viagem para locais com circulação do vírus ou contato com pessoas que estiveram nessas regiões também deve ser informado aos profissionais de saúde.

A SES-DF explica que as manchas costumam começar no rosto e no pescoço e, posteriormente, espalham-se pelo restante do corpo. Pequenos pontos brancos na mucosa da boca, conhecidos como manchas de Koplik, também podem surgir antes das erupções cutâneas.

Ao apresentar sintomas suspeitos, a orientação é procurar atendimento. Bertollo recomenda o uso de máscara durante o deslocamento até a unidade de saúde. Nas UBSs, segundo a Secretaria, pacientes com sinais compatíveis devem informar a situação já na recepção para receber máscara e serem encaminhados a um espaço isolado.

Para as autoridades sanitárias, manter a caderneta atualizada continua sendo a principal barreira para evitar novos casos.


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