Comércio do DF recalcula rota após saída da Seleção da Copa

Distrito Federal
Comércio do DF recalcula rota após saída da Seleção da Copa

Depois de uma eliminação prematura nas oitavas de final da Copa do Mundo, o Brasil se despediu do campeonato neste último domingo. Com os jogos da seleção brasileira, os bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais do Distrito Federal estavam com uma movimentação alta para as transmissões das partidas. O JBr conversou com representantes da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomercio- DF) e do Sindhobar, assim como com proprietários de bares da região, sobre como a saída da seleção vai impactar a economia local.

Com a casa cheia e fila de espera na entrada, o bar Patinho Feio localizado ma Asa Norte, foi um ponto de encontro massivo ao longo desta Copa. Segundo Pedro Caetano, sócio do Patinho Feio, o fluxo teve um bom aumento com as transmissões de jogos e todos os clientes ficavam ansiosos, com reservas esgotando rápido e um clima de estádio. 

Para ele, a eliminação do Brasil impacta diretamente no movimento em dias de jogos, sem dúvidas. “Porém, acreditamos que os demais jogos do mata-mata e o próprio fluxo natural da casa, que já é grande, mantenham o clima festivo, já que manteremos nosso telão 5×3 até o final da Copa”, destacou.  Ele finalizou, afirmando que foram feitos grandes investimentos, com o dobro da equipe nos dias de jogos do Brasil, banheiros extras e outras coisas. “Agora iremos readequar para a realidade pós eliminação, mas mantendo a qualidade.”

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A movimentação em bares no Setor Bancário Sul, por exemplo, como o Ordinário Bar & Música, tinha aumentado cerca de 30% a 50% nos dias de transmissão dos jogos, segundo Diogo Lombardi, sócio do estabelecimento e também do Deboche Bar (201 Norte), que teve um aumento de 50% a 100%. No Ordinário, Diogo destacou ter observado uma queda nos demais dias. “Nossa hipótese é que, como o dinheiro das pessoas não cresceu, elas concentraram a demanda nos dias de jogos do Brasil e seguraram nos demais dias.”

Agora que a seleção verde e amarela saiu de campo e está voltando para casa, Diogo acredita que o faturamento vai estabilizar em uma média semelhante à anterior à Copa do Mundo, ou até enfrentar uma baixa. Ele afirmou que as demais transmissões não aumentam tanto a demanda natural, com exceção da final da Copa. Para a partida que define o campeão do mundo, os sócios do Ordinário Bar & Música estão esperando um fluxo dedicado de pessoas.

Para a temporada de jogos, a casa contou com diversas promoções como a “Chama o Hexa”, que dava a sexta cerveja por conta da casa na compra de cinco. “Tivemos a promo ‘Festival de caipiroskas’, com 6 caipiroskas inspiradas nos países da Copa”, acrescentou. Agora, a tendência é voltar ao normal quanto ao funcionamento e à equipe de funcionários. Diogo salientou que é preciso aceitar que o hexa foi adiado. “Mas, de toda forma, continuaremos trabalhando normalmente para atrair o público com outras ações. Queríamos muito que o Brasil tivesse avançado para que os jogos movimentassem a casa, mas vamos seguir nos dedicando para entregar o nosso melhor para o público”, finalizou.

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Outro bar que estava com uma movimentação grande relacionada à Copa foi o Complexo Fora do Eixo, localizado no Setor de Armazenamento e Abastecimento Norte. Vitor Teles, sócio do estabelecimento, afirmou que, até o último jogo do Brasil, a casa teve uma ótima aceitação do público em relação à Copa do Mundo. “Somos conhecidos como uma casa de shows noturnos, no entanto tivemos movimentação superior ao esperado mesmo em partidas que começavam cedo, como Brasil x Japão em plena segunda-feira, às 14h”, lembrou.

Quanto ao impacto da eliminação brasileira no faturamento da casa, Vitor declarou que o planejamento é manter alguns eventos com temas ligados à Copa, mesmo após a saída do Brasil. Ele acredita que, desta forma, o público se mantém conectado à competição esportiva, mas com menor tensão em relação à eliminação da seleção. “Não iremos transmitir os demais jogos como atração principal do evento, mas o faremos como alternativa para o público que busca acompanhar jogos importantes da competição e para os apaixonados por esporte”, disse. Com isso, ele completou que a casa também aposta em outras ofertas e em uma programação especial. De acordo com Vitor, o espaço contará em breve com um novo formato de happy hour para manter a frequência de novos visitantes.

Diminuição de movimento adicional

Segundo o assessor econômico da Fecomércio-DF, Daniel Soares, os setores mais beneficiados pela realização da Copa do Mundo de 2026 foram aqueles diretamente ligados ao consumo imediato das famílias durante os jogos, especialmente bares, restaurantes, supermercados, padarias, lojas de conveniência, distribuidoras de bebidas, comércio de vestuário, artigos esportivos, decoração, delivery e transporte por aplicativo. Ainda de acordo com Daniel, no Distrito Federal, esse movimento se refletiu de forma mais intensa nas regiões com forte concentração comercial e gastronômica, como Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste, Águas Claras, Guará, Taguatinga, Ceilândia e demais polos de consumo.

Entretanto, com a eliminação do Brasil, o impacto sobre a economia local vai ocorrer principalmente pela redução do faturamento adicional esperado por bares, restaurantes, supermercados, distribuidoras de bebidas, lojas de artigos esportivos e estabelecimentos que haviam se preparado para receber um maior fluxo de consumidores nos próximos jogos. “Inclusive, teve uma particularidade que foi benéfica com relação ao horário também. A maioria dos jogos foi transmitida no período noturno, o que possibilitou que mais famílias se reunissem, confraternizassem e com isso escolhessem um consumo imediato por meio dos bares e restaurantes.”

Ele apontou que o perfil dos consumidores durante a Copa se deu basicamente de forma mais imediata, com as pessoas preferindo as reuniões em bares e restaurantes em detrimento de anos anteriores, nos quais a compra de televisores era mais intensificada. Isso foi motivado por um fator conjuntural, já que a taxa de juros está alta. “Com isso, há um desestímulo do crédito mais caro, diminuindo o consumo de bens duráveis”, completou. Logo, as pessoas deixaram de comprar televisores e optaram por frequentar os bares e restaurantes. “Claro, com a eliminação do Brasil, isso vai impactar a economia local, justamente reduzindo o faturamento adicional esperado pelos bares e restaurantes.”

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Para ele, era esperado um fluxo de consumo maior para as próximas partidas, a partir do momento em que o futebol é uma paixão nacional. “Evidentemente, se o Brasil tivesse se classificado para mais uma rodada, a economia local poderia ter se beneficiado disso”, afirmou. Ele destacou que muitos empresários já haviam organizado os estoques, as promoções, cardápios especiais, decorações e feito investimentos em infraestrutura de telões e equipes, pensando no avanço da seleção brasileira. O que vai acontecer agora é a redução da intensidade do que ele chamou de “Efeito Copa”. “Se interrompe um ciclo de consumo positivo, que iria se prolongar ao longo do torneio.”

Ele acredita que, com a saída do Brasil, o movimento vai dar uma caída de forma adicional, lembrando ainda que os jogos irão continuar, agora chegando nas fases finais, e o apelo comercial continuará existindo no setor, mesmo que de forma reduzida. “Nenhuma outra partida vai mobilizar igual à seleção brasileira. Mas, ainda assim, os jogos vão continuar e a expectativa é que nessas fases finais ainda tenha uma absorção do público local.” Ele afirmou que a economia vai diminuir no tocante aos itens adicionais, como por exemplo no setor varejista, principalmente em relação ao impacto em itens como acessórios, camisetas, bandeiras e artigos esportivos ligados ao Brasil. “Em suma, essa eliminação vai exigir algumas adequações para minimizar essas potenciais perdas de valores agregados. Porque o comércio em si, estamos falando que isso é um evento excepcional de curtíssimo prazo, que iria trazer um efeito adicional, ou seja, agregador ao comércio”, destacou.

A orientação da Fecomércio-DF para os empresários é que haja uma rápida adaptação das estratégias comerciais. Ele indicou que os estabelecimentos devem reavaliar estoques, ajustar escalas de trabalho, rever promoções e buscar novas formas de manter o movimento durante o restante da Copa. Para o comércio, ele reforçou que uma alternativa é transformar os produtos temáticos em oportunidades promocionais, com descontos, combos e ações de liquidação. Para bares e restaurantes, ele reforçou que o caminho é manter a programação do torneio, mas reduzir a dependência dos jogos do Brasil, apostando em telões, cardápios especiais, eventos, experiências gastronômicas, promoções para os jogos decisivos e ações de fidelização dos clientes.

Outro impacto dessa eliminação pode recair no emprego, mas de forma temporária e setorial. Daniel explicou que a Copa costuma ampliar a demanda por mão de obra em bares, restaurantes, supermercados, eventos, delivery, transporte, hotelaria e comércio. “Muitos estabelecimentos reforçam equipes para atender ao aumento do movimento nos dias de jogos. Com a saída do Brasil da competição, parte dessa demanda adicional pode ser reduzida, seja pela diminuição de horas extras, pela revisão de escalas ou pela não convocação de trabalhadores temporários que seriam utilizados nas fases seguintes.”

No entanto, Daniel concluiu que o impacto será mais sentido pelos estabelecimentos que se prepararam especificamente para as próximas partidas da Seleção. “É importante destacar que a eliminação não compromete a economia local como um todo, nem representa um choque econômico. O que ocorre é a interrupção de um ciclo de consumo adicional que poderia se prolongar com o avanço do Brasil. A Copa já gerou movimento, vendas, reservas, promoções e aumento de fluxo em diversos estabelecimentos. Agora, o desafio é reorganizar a estratégia comercial e aproveitar o restante do torneio para preservar parte desse dinamismo econômico.”

Para o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do DF (Sindhobar-DF), Jael Silva, as casas que se prepararam para receber q clientela nos eventos de transmissão de jogos da Copa do Mundo, vão continuar exibindo as partidas, mas o público agora será composto por pessoas com simpatia por outros países ou ligadas a embaixadas. “Vai continuar tendo um movimento melhor do que se não tivesse a Copa. Isso é com certeza. Mas é um pouquinho a mais só, quer dizer, movimenta mais a casa, leva novos clientes, e os bares podem aproveitar para fidelizar esses clientes”, avaliou.

Jael destacou que o setor produtivo fez um investimento especial para esta edição do torneio,  motivados pelo espírito de esperança e o forte apelo emocional da campanha pela sexta estrela tão sonhada. Os estabelecimentos investiram em decoração, na ampliação da infraestrutura de TVs e em promoções de happy hour e petiscos para atrair os consumidores. Depois da eliminação precoce do Brasil, para a reta final da competição, a expectativa é manter as portas abertas para quem busca entretenimento e lazer. “A  minha recomendação é para os clientes: continuem prestigiando os bares que estavam apresentando jogos da Copa do Mundo, porque a Copa do Mundo não acabou. Vamos para os bares, onde tem lazer e entretenimento, onde é lugar de compartilhamento e de confraternização”, concluiu.

O que os torcedores dizem

Um dia depois do jogo, a estudante de Direito Raissa Gomes Rocha, de 22 anos, estava no Ordinário Bar & Música trajando a Amarelinha com orgulho, mesmo diante da derrota. “Péssimo, papelão mesmo. Eu tava em casa, bebendo e super feliz dançando, só que aí veio o primeiro gol. Péssimo. Chorei. Aí veio o segundo, eu chorei de novo. O Brasil ainda fez um, achei que poderia fazer outro, ir para a prorrogação, mas no final realmente não adiantou”. 

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Fotos de Raissa, um amigo e Renan Crédito Amanda Karolyne

Mas apesar da frustração e de notar que o comércio e as ruas amanheceram “em luto”, Raissa fez questão de sair de casa com a camisa do Brasil para mostrar o amor pelo futebol brasileiro. “Foi bem triste ontem e geral está de luto hoje. Não vi ninguém com a blusa do Brasil, mas eu estou usando para poder dar um incentivo, sabe?”. Ela afirmou que em barzinhos, talvez só vai assistir a final, porque nesta segunda-feira ela assistiu o jogo de Portugal e ficou triste com a saída do Christiano Ronaldo da copa. 

O bancário Renan Gomes Rocha, de 32 anos, estava acompanhando a irmã no barzinho e contou que no jogo do Brasil contra a Noruega, ele ja estava com um pressentimento ruim antes de começar, por isso optou plr ver a partida em casa. Para ele, a palavra que definia o dia seguinte à eliminação era revolta. “Eu já comecei o jogo numa depressão terrível. Quando vi o tamanho daqueles caras, senti que algo ruim ia acontecer”, lamentou. 

Renan observou que essa eliminação já causou um impacto no clima do comércio local e os seus próprios planos para o restante do campeonato. “Estou muito puto com os caras porque hoje era para ser um dia muito feliz. Olha que dia triste, não tem ninguém; o comércio era para estar cheio”, desabafou. Para o restante do campeonato, ele não vai assistir nada em bar. “Talvez a final, mas assim, zero ânimo, honestamente. Por enquanto, eu tô de luto ainda”.


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