Linus Torvalds lança Linux 7.1 após transtornos com IA; veja as novidades

Tecnologia
Linus Torvalds lança Linux 7.1 após transtornos com IA; veja as novidades

Resumo
  • Linux 7.1 foi lançado após desenvolvedores enfrentarem problemas com ferramentas de IA gerando notificações de bugs irrelevantes;
  • nova versão do kernel traz novo driver para sistema de arquivos NTFS, com suporte completo a operações de leitura e escrita de dados;
  • Linux 7.1 também inclui suporte oficial ao Intel FRED, recurso que otimiza forma como processador lida com interrupções e chamadas de sistema.

Os desenvolvedores tiveram alguns problemas com a inteligência artificial, mas, no fim das contas, deu tudo certo: a versão final do kernel Linux 7.1 foi lançada. O anúncio foi feito no último domingo (14/06) por Linus Torvalds, como manda a tradição. Entre as novidades estão um novo driver para o sistema de arquivos NTFS e suporte oficial ao Intel FRED (você já irá descobrir o que é isso).

Na mensagem em que anuncia o Linux 7.1 (disponível na íntegra no fim do texto), Torvalds até cogitou adiar o lançamento da versão em uma semana, não necessariamente por conta dos problemas com a IA, mas por ele estar com uma agenda irregular.

Quais são os tais problemas? Os desenvolvedores do kernel receberam muitas notificações de bugs geradas por ferramentas de IA. Contudo, grande parte delas era irrelevante por corresponder a falhas já conhecidas, com baixa prioridade ou até já solucionadas.

Foram tantos relatórios de bugs para serem checados desnecessariamente que os desenvolvedores ficaram sobrecarregados. Torvalds chegou a pedir moderação sobre o uso de ferramentas de IA na caça a bugs. Parece que o apelo (ou “bronca”) deu certo, afinal, o kernel saiu dentro do prazo previsto.

O que o kernel Linux 7.1 tem de novo?

O próprio Linus Torvalds destacou que esta versão traz, principalmente, “várias atualizações menores de drivers”. Pois bem, uma delas envolve o sistema de arquivos NTFS, que agora passa a contar com um driver que oferece suporte completo a operações de escrita e leitura de dados e é mais bem integrado ao kernel, favorecendo o aspecto do desempenho.

Neste ponto, talvez você se pergunte: “mas driver não é só para hardware?”. Nem sempre. Um driver pode ser entendido como um conjunto de instruções que “ensinam” o sistema operacional a lidar com determinado componente. Esse componente pode ser de hardware, ou, a exemplo do NTFS, de software.

E aí chegamos à outra novidade destacada para o Linux 7.1: o Intel FRED (Flexible Return and Event Delivery — algo como “Entrega Flexível de Eventos e Retorno”). Trata-se de um recurso que otimiza a forma como o processador lida com interrupções, chamadas de sistemas e afins.

Na prática, o Intel FRED tende a melhorar o desempenho de chips Intel Panther em distribuições Linux, o mesmo valendo para as futuras CPUs da companhia (afinal, a tecnologia Intel FRED é direcionada a processadores modernos). O Intel FRED já havia sido introduzido no kernel, mas, na versão 7.1, passa a ser ativado por padrão em chips compatíveis.

Entre as demais novidades estão:

  • suporte melhorado para GPUs Intel Arc Battlemage;
  • suporte melhorado para chips gráficos AMD Radeon mais antigos;
  • otimização de drivers para USB e Thunderbolt;
  • conjunto de pequenas melhorias para sistemas de arquivos como EXT4 e F2FS.

Íntegra do anúncio de Linus Torvalds

Abaixo está o anúncio de Torvalds sobre o Linux 7.1:

Então, no meu fuso horário de origem ainda é apenas domingo de manhã, mas onde estou agora já é domingo à tarde, então estou fazendo o lançamento da versão 7.1 no horário habitual — só não no fuso horário habitual.

Isso obviamente significa que a janela de integração (merge window) começa amanhã, mas até lá estarei em mais um fuso horário diferente, então os horários ficarão um pouco irregulares.

Normalmente tento concentrar a maior parte do trabalho no início da janela de integração e fazer o máximo possível nos primeiros dias. Desta vez, não tenho certeza de que isso funcionará, considerando meu notebook e alguns voos longos sem acesso à internet. Mas garanti que já baixei (fetched) os pedidos de integração (pull requests) iniciais (obrigado — vocês sabem quem são), então poderei processar parte deles mesmo estando offline.

De qualquer forma, deixando de lado possíveis pequenos contratempos na janela de integração, a novidade de hoje é a versão 7.1. Abaixo está o resumo (shortlog) da última semana. Nada particularmente interessante ou preocupante se destaca, exatamente como deveria ser.

Trata-se principalmente de várias atualizações menores de drivers (GPU, rede, áudio e outros), além de algumas correções nas ferramentas de rede e rastreamento (tracing). E mudanças aleatórias de menor porte em outras áreas.

Continuem testando [o kernel], apesar de ele já ter sido lançado, e peço desculpas antecipadamente se minha velocidade de processamento durante a janela de integração ficar um pouco imprevisível nos próximos dias. Cheguei a considerar estender este ciclo de lançamento por mais uma semana, mas decidi que não valia a pena. Talvez eu venha a me arrepender dessa decisão.

Linus Torvalds

Como obter o kernel Linux 7.1?

O kernel é o núcleo do sistema operacional, logo, não pode ser atualizado como se fosse um simples aplicativo. Por esse motivo, convém esperar que a sua distribuição Linux lance uma nova versão do sistema que traga o kernel 7.1.

Mas, para quem já sabe como compilar o kernel, o Linux 7.1 pode ser baixado via site oficial.

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