Fábio Felix tem não apenas o ineditismo de levar o PSOL-DF a uma vaga federal, mas também o de ser o deputado eleito com o menor custo por voto dessa eleição. Em média, cada registro na urna para o psolista custou R$ 6,46. Na outra ponta, Reginaldo Veras – que entrou na bancada pelo quociente partidário, via Federação Brasil da Esperança – gastou R$ 34,10 por cada um dos pouco mais de 43 mil votos que recebeu (confira a tabela completa mais abaixo).

O cálculo é feito de forma simples: o gasto total declarado pelas candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral é dividido pelo número de votos recebidos pela campanha. Em tempo: a doação para outros candidatos não foi considerada como gasto de campanha. O levantamento, por sua vez, foi feito pelo Jornal de Brasília com base nas prestações de contas até 21 de outubro das candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na votação aferida por cada candidato no dia 4 de outubro, a data do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. 

Do ponto de vista financeiro, Felix, como dito, teve a campanha mais eficaz para colher os 224.224 votos que o levaram ao recorde para deputado federal no DF; Veras, a menos contundente. Fraga gastou R$ 14,11 para cada um dos registros na urna, o menor valor entre membros do PL, sendo um dos políticos mais conhecidos do Distrito Federal. Outra figurinha tarimbada, porém, teve de investir mais: ex-senador, Izalci Lucas desembolsou R$ 27,09 para cada voto – ao fim, teve pouco mais de 88 mil. 

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Reginaldo Veras entrou na bancada pelo quociente partidário. A federação da qual fez parte garantiu duas vagas na Câmara, divididas entre ele e o ex-governador Agnelo Queiroz. Como de costume, o pleito no Distrito Federal foi marcado pela nacionalização da disputa. Em geral, a Esquerda votou à Esquerda e a Direita seguiu seu caminho. Tal retrato também se fez ver na configuração da bancada na Câmara dos Deputados: dos oito eleitos, três são do PL, um é do MDB, um é do Republicanos, um é do PT, outro do PSOL, e mais um do PV. 

Em termos gerais, são quatro à Direita, um ligado ao “Centrão” e outros três alinhados à Esquerda. Nenhum parlamentar se autodeclarou negro à Justiça Eleitoral. Também não há mulheres e apenas Fábio Felix se declara como homossexual. 

Alçar voos sem perder o chão 

Ao Jornal de Brasília, o deputado mais votado do DF atribui a vitória ao “reconhecimento da população ao trabalho” desempenhado na Câmara Legislativa. “Dinheiro sozinho não constrói confiança nem garante voto”, crava o parlamentar. “Apresentamos propostas para reduzir o custo de vida, que está apertando toda a população”, pontua. 

Felix também se aferra às plataformas que embasaram sua carreira política. “Esse resultado demonstra nossa capacidade de disputar maiorias sem abandonar posições, com candidaturas competitivas trabalhando de forma coordenada. Isso mostra que o PSOL pode combinar firmeza programática, trabalho de base e estratégia eleitoral”, 

Vai, vem e fica

Fraga e Izalci são do PL e ambos serão colegas de Câmara na próxima legislatura. A dupla teve estratégia parecida no último pleito: conseguiu abrir divergência no PL, que aderiu à campanha de reeleição de Celina Leão (PP), e se juntou a José Roberto Arruda (PSD), amigo dos dois e aliado de longa data. Assim, compôs uma chapa mesclada entre PL e PSD, buscando votos para Arruda, mas também para Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, eleitas pela sigla bolsonarista. 

“Eu sei que ele vai ganhar, então no mínimo eu vou ser secretário dele”, disse Fraga, aos risos, quando questionado pelo JBr. se haveria algum problema por romper o pacto partidário. Na ocasião, em 16 de agosto, Fraga reuniu Arruda, Michelle e Kicis num mesmo palanque para o lançamento de sua candidatura. Com a impugnação do ex-governador, ele, assim como Izalci, fez uma espécie de apoio silencioso a Celina. Manzoni, por sua vez, é uma das principais apostas do diretório candango – e também da hoje senadora eleita Bia Kicis, que o apadrinhou. 

“Ela tem uma importância enorme na minha trajetória política e é muito mais do que uma parceira. É uma referência, alguém por quem tenho grande admiração e de quem recebo conselhos e orientações que considero muito valiosos. Durante a campanha, estivemos juntos em diversas agendas, tivemos muitas conversas e pude contar com seu apoio, sua experiência e sua confiança”, pontua o deputado eleito.

“O investimento financeiro é importante em uma campanha eleitoral, especialmente em uma disputa para deputado federal, que exige alcançar um número muito maior de eleitores. Mas dinheiro, por si só, não conquista a confiança das pessoas. “Os recursos ajudaram a levar nossa mensagem mais longe, mas a confiança dos eleitores foi construída muito antes da campanha”, explica o parlamentar.

A reportagem procurou Reginaldo Veras, Izalci Lucas e Thiago Manzoni, por meio de suas assessorias, além de ter tentando contato direto com Alberto Fraga, mas não obteve retorno.


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