Entre propostas e cobranças, candidatos expõem caminhos para o DF em debate da Record

Distrito Federal
Entre propostas e cobranças, candidatos expõem caminhos para o DF em debate da Record

O debate entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal realizado pela Record Brasília nesta segunda-feira (21/9) colocou em discussão diferentes propostas para problemas que fazem parte da rotina dos brasilienses. Saúde, transporte público, educação e moradia foram alguns dos temas abordados no confronto, que também foi marcado por críticas à ausência da governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP).

José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (Novo) e Ricardo Cappelli (PSB) participaram do encontro. Celina foi convidada, mas não compareceu. Segundo a assessoria da candidata, a ausência ocorreu em razão das atividades do cargo. O debate teve quatro blocos, com perguntas entre os candidatos, questionamentos de jornalistas e perguntas enviadas por telespectadores.

Logo no início, a ausência da atual governadora virou assunto entre os adversários. Grass abriu sua participação criticando. Arruda também atacou a ausência e associou a participação no debate à disposição para governar. “Acho que quem foge do debate não tá preparado para governar.”

A partir daí, o encontro tomou caminhos diferentes. Enquanto Leandro tentou apresentar a proximidade com o governo federal como uma forma de buscar investimentos para o DF, Cappelli apostou na experiência nas ruas e na crítica à distância entre o governo e quem depende dos serviços públicos. Paula reforçou a presença feminina e o discurso de independência política. Caputo se apresentou como uma alternativa à chamada “velha política”. Arruda usou a experiência de governos anteriores como principal argumento.

Grass aposta em mudança e proximidade com o governo federal


Leandro Grass concentrou parte de sua participação nas críticas à atual administração e na ideia de que uma eventual relação próxima com o governo federal poderia facilitar a chegada de investimentos ao DF.
No transporte, o candidato defendeu mais linhas e horários de ônibus, expansão do metrô, trens de superfície e a implantação do BRT Norte. Também prometeu relicitar os contratos com as empresas de ônibus e aumentar a fiscalização sobre o serviço.

“Um governo que rouba o banco e um sistema de transporte que rouba tempo da população porque ele demora, porque ele não chega, porque ele não atende.”

Na área social, o candidato voltou a falar sobre fome e pobreza no Distrito Federal e prometeu manter e ampliar benefícios. Uma das propostas apresentadas foi o chamado “cartão na mão”, para que as famílias possam escolher os alimentos que vão comprar.

O candidato também comentou a situação da população mais carente, comparando com a situação do pais e criticando a atual gestão. “O Brasil saiu do mapa da fome, só que no Distrito Federal, onde governam os milionários, a fome aumentou. Isso não se explica a não ser pela incompetência e pela corrupção”.

Cappelli tenta aproximar campanha da vida cotidiana

Cappelli concentrou sua participação em problemas ligados aos serviços públicos e no contato com a rotina de quem depende deles. Na saúde, prometeu zerar a fila de cirurgias e exames com a contratação de 5 mil médicos. Também falou sobre transporte e usou o relato de uma moradora, Dona Diva, para defender que as necessidades da população devem estar acima da disputa ideológica.
“A Dona Diva não quer saber se o médico é de direita ou de esquerda, ela quer o médico. Ela não quer saber se o ônibus é de direita ou de esquerda, ela quer o ônibus.”
O candidato ainda propôs isenção de IPVA para motoristas de aplicativo, entregadores e motociclistas de até 180 cilindradas. Para a habitação, apresentou o programa “A casa é sua”, com a proposta de facilitar a regularização de imóveis.
Belmonte levanta a pauta das mulheres, educação e combate à corrupção
Paula Belmonte apresentou a própria trajetória como parte da candidatura. A deputada federal e distrital reforçou durante o debate que se considera uma candidata independente e sem compromissos com grupos políticos.
A participação feminina na política também foi um dos pontos principais de sua participação. Belmonte apresentou o vice, Everardo Alves Ribeiro, e prometeu criar um gabinete voltado ao combate à corrupção.

Na educação, defendeu escolas em tempo integral, mas tentou ampliar o significado da proposta. Para ela, aumentar o tempo na escola precisa vir acompanhado de alimentação e novas disciplinas.

“Educação integral não é só tempo na escola, é educação de qualidade. Ensinar matemática financeira, empreendedorismo, tecnologia.”

Ao criticar a falta de representatividade e o desamparo das jovens no Distrito Federal, a candidata afirmou que “as nossas meninas estão abandonadas nas escolas”, destacando que o maior índice de evasão ocorre entre mulheres. “Lamentável quando vemos no ensino médio que muitas das vezes elas não querem estudar porque precisam de mais apoio, como por exemplo quando tem uma gravidez precoce”.

No fim do debate, Belmonte voltou ao discurso de independência política e resumiu sua proposta de governo a um governo sem pressão. “Não tenho rabo preso com ninguém, as minhas mãos estão limpas e a gente precisa fazer a política acontecer de verdade”.

Caputo transforma gestão e corrupção em bandeiras
Kiko Caputo buscou se diferenciar dos demais candidatos ao assumir abertamente a posição de candidato de direita e criticar o que chamou de “velha política”.

O discurso passou principalmente por uma promessa de redução da estrutura do governo. Caputo disse que pretende diminuir o número de secretarias de mais de 30 para menos de 20 e acabar com cargos comissionados escolhidos por indicação política.

A tecnologia apareceu como outra marca da campanha. Ele defendeu a digitalização dos serviços públicos e resumiu a proposta ao falar do Detran.

“O seu posto do Detran vai estar no seu celular. Você vai acessá-lo onde você estiver.”

O caso envolvendo o BRB também foi usado pelo candidato como símbolo de sua crítica à atual gestão. “Talvez a face mais visível da corrupção seja esse escândalo do BRB, o maior escândalo da República protagonizado pelo Buriti e pela Câmara Legislativa. Um fez o negócio terrível com o banqueiro fraudulento de São Paulo e os outros fecharam os olhos e autorizaram o Buriti a fazer absolutamente tudo”

Caputo encerrou sua participação defendendo um “choque de honestidade, gestão e transparência” e dizendo que pretende tirar Brasília da imagem associada a escândalos e das páginas policiais.

Arruda usa experiência para apresentar retorno de programas e obras
José Arruda foi o candidato que mais recorreu ao próprio passado político como argumento para o futuro. Ao longo do debate, relembrou obras realizadas em seus governos, como a EPTG, hospitais e a expansão do metrô.

A própria situação jurídica da candidatura apareceu entre os assuntos. Questionado sobre sua elegibilidade, Arruda afirmou que está apto a disputar a eleição e reforçou que estará na urna.

“Sou candidato. Meu número vai estar na urna. Se eu não fosse candidato, a Record, que é uma emissora séria, nem teria me convidado.”

Na área social, prometeu retomar programas conhecidos de seus governos, como o Pão e Leite e a cesta básica, além de criar o “Mãezinha Brasiliense”, voltado a mães.

Na habitação, propôs a entrega de 10 mil lotes urbanizados por ano, acompanhados de um cheque de R$25 mil para construção. Também prometeu cinco novos hospitais e novas expansões do metrô.

Ao ser questionado sobre transparência, Arruda recorreu novamente à tecnologia. A proposta é colocar informações sobre os gastos públicos em plataformas digitais para permitir que moradores e jornalistas acompanhem a aplicação dos recursos.


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