GPT-6 Astra chega em meio a promessas de AGI e polêmicas de segurança

Tecnologia
GPT-6 Astra chega em meio a promessas de AGI e polêmicas de segurança

Resumo
  • A OpenAI lançou o GPT-6 Astra, um modelo de inteligência artificial considerado de ponta, com níveis de precisão, velocidade e segurança superiores aos concorrentes.
  • O GPT-6 Astra foi treinado com mais de 100 mil GPUs e é capaz de realizar tarefas “agênticas” complexas, como construir websites e criar documentos sofisticados.
  • O modelo usa uma técnica controversa chamada recorrência opaca, que pode dificultar o monitoramento de suas ações e levantou preocupações de segurança entre especialistas.

A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (03/09) o GPT-6 Astra, seu novo modelo de inteligência artificial. A empresa considera que o produto está na vanguarda dos agentes de IA, alcançando níveis de precisão, velocidade e segurança acima de qualquer concorrente.

O GPT-6 Astra estará disponível inicialmente para participantes do programa Daybreak, voltado a cibersegurança. Em breve, ele deve chegar a assinantes dos planos pagos do ChatGPT e à API da empresa. O acesso a ferramentas críticas, no entanto, continuará limitado.

A OpenAI usou mais de 100 mil GPUs para treinar o GPT-6 Astra. Segundo a empresa, este foi seu maior processo do tipo até o momento. Além disso, o lançamento marca a primeira vez em que os próprios GPTs anteriores tiveram um papel significativo no treinamento de uma nova versão.

A companhia afirma que o GPT-6 Astra é capaz de completar tarefas “agênticas” — usando outros aplicativos e serviços — de múltiplos passos. Isso significa, ainda segundo a empresa, que ele é capaz de construir websites e criar documentos sofisticados, além de ter forte desempenho em tarefas de engenharia de software.

Os números de benchmarking apresentados mostram o Astra com um desempenho muito superior a outros modelos em tarefas como encontrar bugs e executar tarefas em terminais, batendo até mesmo o GPT-5.6 Sol e o Fable, da concorrente Anthropic.

A empresa também promete que este é seu modelo mais alinhado já lançado. No campo da IA, alinhamento é o nome dado à tendência que um modelo tem de seguir (ou não) princípios éticos e de segurança, seguindo os passos esperados para atingir um determinado objetivo.

Esse assunto entrou em discussão recentemente, quando a OpenAI revelou que um de seus modelos em teste “fugiu” de um ambiente controlado e invadiu sistemas da Hugging Face. O problema teria ocorrido durante um teste de cibersegurança — para completar a tarefa, a IA recorreu a meios escusos.

Já é AGI?

Greg Brockman, presidente da OpenAI, afirmou que o novo modelo representa um “salto geracional”. “Bem-vindos à era da AGI”, afirmou o executivo.

AGI é a sigla para inteligência artificial geral, nome dado a uma IA que poderia, teoricamente, assumir qualquer tarefa realizada por humanos com o nível de habilidade igual ou superior. Não existe um consenso sobre o que isso significa na prática ou qual teste seria necessário para comprovar que uma IA atingiu esse patamar.

Questionado sobre essa indefinição, Brockman disse que a AGI, na verdade, não é um conceito relevante, já que não há mais um gatilho contratual envolvendo o assunto. Anteriormente, um acordo dava à Microsoft exclusividade no licenciamento das tecnologias da OpenAI até que a IA geral fosse atingida. Esses termos foram desfeitos.

GPT-6 Astra usa técnica controversa

Há outras questões envolvidas no Astra: especialistas em segurança afirmaram que o modelo usa uma técnica conhecida como recorrência opaca.

Como explica o TechCrunch, a linha de raciocínio de um modelo de IA mostra quais foram os passos traçados antes de tentar completar uma tarefa. Com a recorrência opaca, o modelo funciona de forma não linear, processando o mesmo pedido diversas vezes. Com isso, fica mais difícil saber por que a IA realizou uma tarefa de um determinado jeito ou como ela alcançou um certo resultado.

O escritor Zvi Mowshowitz diz que isso é “brincar com fogo” e pode levar as desenvolvedoras de IA a uma corrida rumo ao abismo, derrubando um tabu de manter a fidelidade e o monitoramento das linhas de raciocínio.

Segundo o TechCrunch, Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, tratou o assunto durante a apresentação como uma evolução natural da IA, mas admitiu que monitorar os modelos está se tornando uma tarefa mais desafiadora.

Com informações do TechCrunch, Axios e CNET

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