“Cenário está aberto”, diz presidente do PSB/DF sobre eleições

Distrito Federal
“Cenário está aberto”, diz presidente do PSB/DF sobre eleições

À medida que outubro se aproxima, Rodrigo Dias tem cada vez mais responsabilidades. Presidente distrital do Partido Socialista Brasileiro (PSB), é o articulador-mor de um projeto da legenda para retomar cadeiras perdidas ao longo dos últimos anos. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, perdeu mais da metade da bancada em 2022. Na Legislativa, a local, tem apenas a deputada Dayse Amarílio como representante. Entre um compromisso e outro, em geral ligados às formalidades que antecedem uma campanha eleitoral, recebeu o Jornal de Brasília na sede da legenda para falar do pleito que se aproxima. “É preciso juntar os divergentes para combater os antagônicos”, diz, citando o presidente Lula (PT), para justificar a criação de uma frente ampla no Distrito Federal. Seu partido vai com Ricardo Capelli à disputa pelo Buriti, que, após as complicações do Banco Master e do BRB, “parece mais acessível”, mas nem só de Executivo se faz uma campanha: na escalação pessebista para outubro, dois nomes de peso concorrem à Câmara dos Deputados. Não seria melhor que fossem ao Senado? Ele se esquiva: “são nomes que estão à disposição do partido”, diz, ao explicar a definição das candidaturas, cujo prazo se encerra no próximo mês. 

Vivemos um momento de indefinição no campo da direita que pode viabilizar a esquerda nas próximas eleições. Como enxerga o cenário?

É impressionante como a política muda, né? A dinâmica da política é aquela metáfora da nuvem: um dia está de um lado, outro dia está no outro. Se fosse um ano atrás, muita gente falava que era praticamente imbatível a chapa Ibaneis e Celina Leão. Ninguém tinha essa expectativa do escândalo do Banco Master e não apenas isso, mas os desdobramentos das contas públicas do próprio governo, que a gente estima aí que tem um rombo nas contas públicas, para além do Master, que pode chegar a até R$ 8 bilhões nos rombos das contas públicas. Ele coloca o cenário político do Distrito Federal completamente aberto. Primeiro, porque isso tem gerado dentro do próprio núcleo da direita um conflito, um desafio de composição das próprias forças, e que tem repercutido inclusive em brigas constantes públicas, né? Nem a direita sabe ao certo quantas chapas vão sair, quais vão ser essas chapas. [Isso] reacende dentro da campanha um tema que não estava como um tema central, que é o tema da questão da corrupção.

Capelli tem mostrado muito empenho e até novas formas de fazer campanha, mas não emplaca nas pesquisas. A candidatura do PSB no DF – a única em que o partido não seguiu o PT – é uma forma de não se mostrar apenas como um satélite do PT?

A nossa questão não é pessoal contra o [Leandro] Grass ou a favor do Grass. A gente só acha que, de fato, para a gente ganhar uma eleição de governo no Distrito Federal, a gente precisa ser amplo. E uma chapa só de esquerda, encabeçada pelo mesmo partido, duas vagas majoritárias, isso dificilmente representa um projeto de amplitude. (12:52) No Distrito Federal, se você for pegar a pesquisa, você tem ali uma base consolidada da extrema-direita e bolsonarismo, que é um pouco maior, inclusive, do que a base de esquerda lulista, mas você tem ali 40% dos eleitores que são de centro. A gente precisa ter uma candidatura que consiga dialogar com esse nosso segmento. É muito mais uma disputa de tese do que uma disputa de projetos (13:58) partidários ou personalísticos.

Então Capelli vai até o final? E a estratégia de frente ampla repete a eleição de 2022 para o campo progressista?

Acho que a eleição de 2026 é uma eleição que lembra muito a de 2022, e se a gente lembrar a eleição de 22 foram justamente os projetos que conseguiram maior amplitude, inclusive do próprio presidente Lula. Nem a gente do PSB imaginava que o Alckmin poderia ser vice-presidente naquele contexto. Quem imaginava que Simone Tebet, que hoje está inclusive no PSB, naquele contexto de 22 iria apoiar o presidente Lula num eventual segundo turno? A mesma tese que a gente defendeu lá, acho que a gente tem que defender aqui. Não é uma questão de esquerda contra direita. É uma questão de um projeto democrático, contra um projeto que representa um retrocesso para o país e para o Distrito Federal. Por isso que a gente dialoga, por exemplo, com Paula Belmonte (PSDB). Não somos do mesmo campo ideológico. Temos nossas diferenças, mas, como diria o presidente Lula, é o momento da gente juntar os divergentes para enfrentar os antagônicos. 

Mas em 2022 Lula venceu apenas na Asa Norte e Ibaneis foi reeleito em primeiro turno. Existe um temor de que essa configuração continue a mesma também? 

Eu acho que depende do que a gente se propõe a debater sobre a cidade. O principal é que as pessoas, ainda mais quando você está discutindo o governo, as pessoas estão preocupadas é se vão chegar na fila do hospital e vão ser atendidas. Como o Capelli fala muito, “eles não chegam lá e estão preocupados se o médico é de esquerda ou de direita. Eles querem chegar no hospital e ser atendidos. Eles querem ir para a fila do CRAS e conseguir o serviço de assistência social. Ele quer que o saneamento básico chegue na sua casa. Ele quer pegar um transporte público e aquele transporte público funcionar. Então, o que eu acho, e o presidente Lula faz isso muito bem, é que temos que trazer para o debate público, que é um debate de cidade. A gente está discutindo os problemas reais da cidade e soluções para esses problemas reais que é onde as pessoas vivem. 

E qual é o problema principal a ser atacado?

Hoje, inevitavelmente, o grande problema do Distrito Federal é a saúde pública. E a gente tem piorado. Não digo que a saúde pública do Distrito Federal era um modelo, mas nos últimos anos, nos anos de Ibaneis 1 e Ibaneis 2, a saúde do Distrito Federal piorou e muito. Antes as pessoas falavam que o desafio da saúde pública é que as pessoas saiam do entorno e eram atendidas no Distrito Federal, então tinha essa sobrecarga do sistema. Hoje você vai em Santa Maria, a pessoa prefere ser atendida no Novo Gama, porque ela vai na UPA e consegue atendimento. E isso não faz sentido, porque a gente tem um investimento per capita na saúde do Distrito Federal, que chega a ser até quatro vezes do que é no Goiás, por exemplo. A grande questão hoje é você ter mais de 30 mil pessoas à espera de uma cirurgia. O modelo do Iges já demonstrou que não funcionou. 

O Iges tem contratos longos e milionários. Como reverter isso, no caso de uma vitória nas urnas?

A gente é muito realista também, não somos um partido irresponsável. A gente sabe que nenhum governo vai conseguir da noite para o dia acabar com o Iges. O primeiro passo no processo de transição é entender porque que o Iges não está funcionando e quais são as falhas e as debilidades. Mas, a partir desse processo, é pensar numa transição, mesmo que seja uma transição de médio prazo, para ver como é que a gente consegue transitar desse modelo que não foi eficiente para um outro modelo que pode ser mais eficiente. E aí, a gente tem que buscar com outras experiências de gestão quais são esses modelos. Temos a experiência da Paraíba, com um governador do PSB, que zerou a fila de cirurgias eletivas. Eu tenho certeza que o modelo do Iges não é o mais eficiente. 

O PSB tem dois pesos-pesados que, a princípio, vão concorrer à Câmara, mas a corrida ao Senado está aberta de novo. Existe alguma chance de Cristóvam ou Rollemberg disputarem a Casa Alta?

São pessoas de projeto coletivo, de projeto partidário. O Rodrigo sempre foi do mesmo partido a vida toda, o Cristóvão sempre dentro do mesmo campo político, né? São dois nomes que estão à disposição do partido, mas acima de tudo a gente está muito preocupado em construir uma frente ampla. Se no momento a gente apresentasse qualquer um desses nomes para o Senado, também seria uma sinalização ruim da nossa parte em uma busca dessa composição. Mas, sem sobras dúvidas, até o dia 5 de agosto, muita coisa pode acontecer. Além de Cristóvão e Rodrigo, por exemplo, um outro grande nome que influiu no partido foi o nome do Augusto Carvalho, que apesar de hoje não ser pré-candidato, é um outro nome que também se colocou à disposição. A gente tem três nomes de peso pesado que poderiam estar ocupando alguma dessas vagas de majoritário. O PSB, na eleição passada, elegeu 14 deputados federais, a gente sai de uma bancada de 32 para 14. Também tem a responsabilidade de como o PSB, local e nacional, vai sair dessas eleições. 

Pela maioria que tinha, a Câmara Legislativa passou oito anos quase que chancelando os projetos do GDF, que podem complicar o eventual vencedor desta eleição. Como o PSB mira a eleição para o parlamento local?

Acho que o PSB montou uma chapa muito competitiva. Tenho convicção de que a gente vai eleger pelo menos dois deputados distritais, trazer mais um deputado ou uma deputada para contribuir no campo progressista. É uma chapa que ajuda a gente a justamente furar essa bolha, porque quando você apresenta uma chapa que muitos desses nomes não são nomes tradicionais da política, não são grandes caciques, mas que têm sua representatividade dentro dos seus segmentos. Tem gente da saúde, tem gente da cultura, tem professores da educação, a gente tem gente do centro, mas a gente tem gente de Ceilândia, tem gente de Taguatinga, tem gente das mais diversas regiões administrativas do Distrito Federal e que representam a renovação. Acho que o PSB é o partido que mais vai oferecer renovação para a Câmara Legislativa no sentido de novos quadros para ocuparem esse espaço. 


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